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20 de março de 2013

It's Hard to be a Saint in the City






I had skin like leather and the diamond-hard look of a cobra
I was born blue and weathered but I burst just like a supernova
I could walk like Brando right into the sun
Then dance just like a Casanova
With my blackjack and jacket and hair slicked sweet
Silver star studs on my duds like a Harley in heat
When I strut down the street I could hear its heartbeat
The sisters fell back and said "Don't that man look pretty"
The cripple on the corner cried out "Nickels for your pity"
Them gasoline boys downtown sure talk gritty
It's so hard to be a saint in the city

(...)

And them South Side sisters sure look pretty
The cripple on the corner cries out "Nickels for your pity"
And them downtown boys sure talk gritty
It's so hard to be a saint in the city





15 de janeiro de 2013

15.1.13






15.1.85
rua do forte

levantei-me cedo com a chuva fustigado
a memória dum corpo que se esvaiu no sonho
aqueci o café ouvi as notícias da manhã
sobe um lamento que me percorre os ossos

cansado de luz o mar devolve-me a frescura
do amigo ainda à pouco deitado
a meu lado o rosto sonolento
sobre o peito a mão um sorriso
e o mundo parece menos cruel
contigo ausente agora tão perto de mim

*

pergunto-me se mereces este poema
pergunto-me se o escreverei
contigo dentro de cada palavra
e de querer eu mesmo ser poema
e não poeta
para que pernoites ao menos uma vez
dentro do meu corpo imaginado


Al Berto



 


24 de maio de 2012

Jenny


Here you are again
Another stupid party again
A celebration for nothing

Your eyes are following
The kings and the queens of the zoo
Immune in their black clothing
They let the world down





26 de maio de 2011

C'mon Billy

Não sentir, não sentir, não sentir.
Nunca sentir.
Não sentir, não sentir, não sentir.

Depois ela cantou "C'mon Billy".
"Esfrangalhei-me" toda.




8 de setembro de 2010

Why Won't You Stay




três poemas de amor
1

fosse apenas o desespero da ocasião da descarga de palavreado

perguntando se não será melhor abortar que ser estéril

as horas tão pesadas depois de te ires embora começarão sempre a arrastar-se cedo de mais as garras agarradas às cegas à cama da fome trazendo à tona os ossos os velhos amores órbitas vazias cheias em tempos de olhos como os teus sempre todas perguntando se será melhor cedo de mais do que nunca com a fome negra a manchar-lhes as caras a dizer outra vez nove dias sem nunca flutuar o amado nem nove meses nem nove vidas

2

a dizer outra vez se não me ensinares eu não aprendo a dizer outra vez que há uma última vez mesmo para as últimas vezes últimas vezes em que se implora últimas vezes em que se ama em que se sabe e não se sabe em que se finge uma última vez mesmo para as últimas vezes em que se diz se não me amares eu não serei amado se eu não te amar eu não amarei

palavras rançosas a revolver outra vez no coração amor amor amor pancada da velha batedeira pilando o soro inalterável das palavras

aterrorizado outra vez de não amar de amar e não seres tu de ser amado e não ser por ti de saber e não saber e fingir e fingir

eu e todos os outros que te hão-de amar se te amarem

3

a não ser que te amem

samuel beckett





23 de maio de 2010

Why I'm Bullshit



in you leather head band
with feathers - your so handsome
you can translate the sidewalk cracks
you can hear the wailing of the ghosts

all i know is I betrayed you
by not dragging hell to find you
but beautiful you're always there



27 de novembro de 2009

Nessun Dorma
























(…)
repentinamente
ressoam tímbalos, como se a febre
os fizesse chocar
dentro do seu coração:
contra sua vontade,
um longo hábito levou-a de volta ao circo,
à hora onde todas as noites ela luta
contra o anjo da vertigem.

uma última vez
enche-se daquele cheiro de animal selvagem
que foi o da sua vida,
daquela música enorme e desafinada
como é a do amor.
(…)


Marguerite Yourcenar



16 de outubro de 2009

Ne me quitte pas‏






Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras

Je te parlerai
De ces amants là
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embraser

Je te raconterai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas

30 de junho de 2009

Pina Bausch



Assim devera eu ser
e não esta cigarra
que se põe a cantar
e me deita a perder.



14 de maio de 2009

If It Be Your Will




If it be your will
That I speak no more
And my voice be still
As it was before

I will speak no more
I shall abide until
I am spoken for
If it be your will

26 de janeiro de 2009

Betty Caine




Betty Caine
In her long lost spider garden
And Betty Caine
Knows the steps and secret places
All too bloody well
No, Betty Caine
She won't come out of her haunted hide-out
Not until - not until spring has come
The sunken continents rose
She's gonna make them sink again




 



mp3
 

8 de janeiro de 2009

Kiss my Name

Kiss my name
Mama in the afterglow
When the grass is green with grow
And my tears have turned to snow


I’m only a child
Born upon a grave
Dancing through the stations
Calling out my name


Oh mama kiss my name
I am trying to be sane
I’m trying to kiss my friends
And when broken, make amends


Kiss my name, the curtains white
The turtle doves embroider light
As I lie, murdered in ground
The rain compacting sodden sound
Of songs I sang the years before
When it was time to rain
Upon the coal that I became










3 de janeiro de 2009

Dust and Water



Framentos de um Diário

Amo
as águas no instante em que não são do rio
Nem pertencem ainda ao mar.....
.....árduas planícies rosto incendiado pesando-me
nos ombros
hirto....tatuado no entardecer de magoada cocaína.....

.....leio baixinho aquele poema Eu de Belaflor
nocturna sombra de corpo embriagado
fogos por descuido acesos no húmido leito dos juncos...
...altíssima margem....inacessível noite de Florbela

e o soneto dizia: Sou aquela que passa e ninguém vê
sou a que chamam triste sem o ser
sou a que chora sem saber porquê

...apesar de tudo conheço bem este rio
e o cuspo diáfano do coral o sono letárgico
dos reduzidos seres marinhos esmagados
na pressa do mar...possuo este resíduo de vida estelar
gravada na pele está a cabeça de medusa loura....dói
nas comissuras penumbrosas das falésias
que me evocam
os ternos lábios das grandes bocas fluviais.....

...sinto o rigor das plantas erectas as vozes esparsas
os corpos de ouro enleados na violência das maresias....
...junto á foz de meu inseguro desaguar...continuo sentado
escrevo a desordem urgente das horas...medito-me
cuidadosamente o tabaco amargo pressente-te na garganta
e no fundo inóspito do corpo desenvolve-se
o desejo de fugir....
.... espero o cortante sal-gema das ilhas.....a ilusão
conseguir prolongar-me na secreta noite dos peixes....
...adormeço enfim
para que estes dias aconteçam mais lentos
nas proximidades inalteráveis deste mar....
                                                       Al Berto


 




 

25 de dezembro de 2008

Daylight and the Sun


Reflorir, sempre


Não é já de Natal esta poesia.
E, se a teus pés deponho algo que encerra
e não algo que cria,
é porque em ti confio: como a terra,
por sobre ti os anos passarão,
a mesma serás sempre, e o coração,
como esse interior da terra nunca visto,
a primavera eterna de que existo,
o reflorir de sempre, o dia a dia,
o novo tempo e os outros que hão-de vir.
                                                                Jorge de Sena


 


 

26 de outubro de 2008

Creature Fear



é o teu olhar e o que imagino dele, é solidão e arrependimento,
não são bibliotecas a arder de versos contados porque isso são
bibliotecas a arder de versos contados e não é o poema, não é a
raiz de uma palavra que julgamos conhecer porque só podemos
conhecer o que possuímos e não possuímos nada, não é um
torrão de terra a cantar hinos e a estender muralhas entre
os versos e o mundo, o poema não é a palavra poema
porque a palavra poema é uma palavra, o poema é a
carne salgada por dentro
, é um olhar perdido na noite sobre
os telhados na hora em que todos dormem, é a última
lembrança de um afogado, é um pesadelo, uma angústia, esperança.
o poema não tem estrófes, tem corpo, o poema não tem versos,
tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-se
com grãos de areia e beijos
, pétalas e momentos, gritos e
incertezas, a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
a palavra poema existe para não ser escrita como eu existo
para não ser escrito, para não ser entendido, nem sequer por
mim próprio, ainda que o meu sentido esteja em todos os lugares
onde sou, o poema sou eu, as minhas mãos nos teus cabelos,
o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me
olhas
, o poema é o teu rosto, eu, eu não sei escrever a
palavra poema, eu, eu só sei escrever o seu sentido.

José Luís Peixoto

21 de outubro de 2008

I Know Thats Not Really You



All your hopeless words
They drag you around like the frost
Down to all the bridges and bibles you burned
Down the roads where you were always lost

I know that’s not really you

Your magic power is to disappear
That’s all you left me in your will
It’s the only blessing you don’t fear
The only prayer God is sure to fill

I know that’s not really you

The fistfuls of ashes you use
To Halloween your true face
Remember it - it’s the one you never use
The one where the poison in your heart has no place

I know that’s not really you

The people you know are proud to be cruel
Prisoners to the harm that they always do
They laugh at you
They laugh at you
Until you stop loving

20 de outubro de 2008

Shake That Devil - Antony & the Johnsons



(...)Sonhávamos alto: não será a alma apenas o supremo resultado do corpo, frágil manifestação da dor e do prazer de existir? é, pelo contrário, mais antiga que este corpo modelado À sua imagem, e que, melhor ou pior, lhe serve momentaneamente de instrumento? é possível chamá-la ao interior da carne, restabelecer entre elas esta união estreita, esta combustão a que chamamos vida? se as almas possuem a sua identidade própria, podem elas tocar-se, ir de uma para outra como um bocado de fruto, o gole de vinho que dois amantes passam um ao outro num beijo? (...)

Memórias de Adriano - Marguerite Yourcenar