12 de fevereiro de 2013

Taro




Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?

Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.

Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?

Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim

Eugénio de Andrade




2 de fevereiro de 2013

Gun-Shy





Sinto-me assim, toda entranhada.



1 de fevereiro de 2013

Wild Wood


Que acontece a uma música,
quando deixa de soar;
e a uma brisa que deixa
de voar,
e a uma luz que se apaga?
Morte, diz: que és tu, senão silêncio,
calma e sombra?


Juan Ramón Jiménez





23 de janeiro de 2013

Freedom




Calvin Candie: Your boss looks a little green around the gills.
Django: He just ain't used to seein' a man ripped apart by dogs is all.
Calvin Candie: But you are used to it?
Django: I'm just a little more used to Americans than he is.




15 de janeiro de 2013

15.1.13






15.1.85
rua do forte

levantei-me cedo com a chuva fustigado
a memória dum corpo que se esvaiu no sonho
aqueci o café ouvi as notícias da manhã
sobe um lamento que me percorre os ossos

cansado de luz o mar devolve-me a frescura
do amigo ainda à pouco deitado
a meu lado o rosto sonolento
sobre o peito a mão um sorriso
e o mundo parece menos cruel
contigo ausente agora tão perto de mim

*

pergunto-me se mereces este poema
pergunto-me se o escreverei
contigo dentro de cada palavra
e de querer eu mesmo ser poema
e não poeta
para que pernoites ao menos uma vez
dentro do meu corpo imaginado


Al Berto