13 de fevereiro de 2009

Yawny at the Apocalypse

 
 
Paraíso
 
Deixa ficar comigo a madrugada,
 para que a luz do Sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.
 
Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota...
Crepite, em derredor, o mar de Agosto...
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!~
 
Depois, podes partir.
 
Só te aconselho que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito...
Podes partir.
 
De nada mais preciso para a minha ilusão do Paraíso.
 
                                                                         David Mourão-Ferreira
 
 
 
 
 
 
 
 
 

10 de fevereiro de 2009

Plasticities



This isn't your song, this isn't your music.


9 de fevereiro de 2009

The Animals Were Gone






We could make babies and accidental songs







Estou vivo e escrevo sol

                                                                             
                                                                            (Luis Rodrigues)

Estou vivo e escrevo sol

Eu escrevo versos ao meio-dia
e a morte ao sol é uma cabeleira
que passa em fios frescos sobre a minha cara de vivo
Estou vivo e escrevo sol

Se as minhas lágrimas e os meus dentes cantam
no vazio fresco
é porque aboli todas as mentiras
e não sou mais que este momento puro
a coincidência perfeita
no acto de escrever e sol

A vertigem única da verdade em riste
a nulidade de todas as próximas paragens
navego para o cimo
tombo na claridade simples
e os objectos atiram suas faces
e na minha língua o sol trepida

Melhor que beber vinho é mais claro
ser no olhar o próprio olhar
a maraviha é este espaço aberto
a rua
um grito
a grande toalha do silêncio verde

                                                                           António Ramos Rosa





5 de fevereiro de 2009

Flume

São tantos
os silêncios da fala

De sede
De saliva
De suor
Silêncios de silex
no corpo do silêncio
Silêncios de vento
de mar
e de torpor
De amor

Depois, há as jarras
com rosas de silêncio
Os gemidos
nas camas
As ancas
O sabor

O silêncio que posto
em cima do silêncio
usurpa do silêncio o seu magro labor.
                                                                                    Maria Teresa Horta