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8 de maio de 2012

Wash





Hoje perdi alguma coisa.

5 de fevereiro de 2009

Flume

São tantos
os silêncios da fala

De sede
De saliva
De suor
Silêncios de silex
no corpo do silêncio
Silêncios de vento
de mar
e de torpor
De amor

Depois, há as jarras
com rosas de silêncio
Os gemidos
nas camas
As ancas
O sabor

O silêncio que posto
em cima do silêncio
usurpa do silêncio o seu magro labor.
                                                                                    Maria Teresa Horta





16 de janeiro de 2009

Lump Sum



Na descida da rampa os anjos
rodam os saios de lã nas silvas de aço e de esmeralda.
Prados de chamas lavram a colina.
À esquerda o cimo do terreiro é pisado
por todos os homicídios
e todo o fragor de desgraça descreve a sua curva.
Atrás da crista da direita a linha dos orientes,
dos progressos.
E enquanto a faixa superior do quadro é formada
por rumor hiante e turbilhonante
das conchas dos mares e das noites humanas,
A doçura florida das estrelas e do céu e do resto desce
frente à rampa,
como um cesto,
contra a tua face,
e gera o abismo floral e azul lá em baixo.

                                                                                                                           Jean-Arthur Rimbaud



 



 
 

26 de outubro de 2008

Creature Fear



é o teu olhar e o que imagino dele, é solidão e arrependimento,
não são bibliotecas a arder de versos contados porque isso são
bibliotecas a arder de versos contados e não é o poema, não é a
raiz de uma palavra que julgamos conhecer porque só podemos
conhecer o que possuímos e não possuímos nada, não é um
torrão de terra a cantar hinos e a estender muralhas entre
os versos e o mundo, o poema não é a palavra poema
porque a palavra poema é uma palavra, o poema é a
carne salgada por dentro
, é um olhar perdido na noite sobre
os telhados na hora em que todos dormem, é a última
lembrança de um afogado, é um pesadelo, uma angústia, esperança.
o poema não tem estrófes, tem corpo, o poema não tem versos,
tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-se
com grãos de areia e beijos
, pétalas e momentos, gritos e
incertezas, a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
a palavra poema existe para não ser escrita como eu existo
para não ser escrito, para não ser entendido, nem sequer por
mim próprio, ainda que o meu sentido esteja em todos os lugares
onde sou, o poema sou eu, as minhas mãos nos teus cabelos,
o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me
olhas
, o poema é o teu rosto, eu, eu não sei escrever a
palavra poema, eu, eu só sei escrever o seu sentido.

José Luís Peixoto

15 de setembro de 2008

Skinny Love - Bon Iver



I told you to be patient
I told you to be fine
I told you to be balanced
I told you to be kind
Now all your love is wasted?

Then who the hell was I?
Now I'm breaking at the britches
And at the end of all your lines

Who will love you?
Who will fight?
Who will fall far behind?

25 de julho de 2008

re: Stacks



Uma Paixão

Visita-me enquanto não envelheço
toma estas palavras cheias de medo e surpreende-me
com teu rosto de Modigliani suicidado

tenho uma varanda ampla cheia de malvas
e o marulhar das noites povoadas de peixes voadores
vem

ver-me antes que a bruma contamine os alicerces
as pedras nacaradas deste vulcão a lava do desejo
subindo à boca sulfurosa dos espelhos
vem

antes que desperte em mim o grito
de alguma terna Jeanne Hébuterne a paixão
derrama-se quando tua ausência se prende às veias
prontas a esvaziarem-se do rubro ouro
perco-te no sono das marítimas paisagens
estas feridas de barro e quartzo
os olhos escancarados para a infindável água
vem

com teu sabor de açúcar queimado em redor da noite
sonhar perto do coração que não sabe como tocar-te

Al Berto

16 de junho de 2008

The Wolves (Act I And II)







Someday my pain, someday my pain
Will mark you
Harness your blame, harness your blame
And walk through

With the wild wolves around you
In the morning, I'll call you
Send it farther on

Solace my game, solace my game
It stars you
Swing wide your crane, swing wide your crane
And run me through

And the story's all over you
In the morning I'll call you
Can't you find a clue when your eyes are all painted Sinatra blue

What might have been lost -
Don't bother me

6 de janeiro de 2008

Blindsided - Bon Iver



Bike down... down to the downtown
Down to the lockdown... boards, nails lye around

I crouch like a crow
Contrasting the snow
For the agony, I'd rather know
'Cause blinded I am blindsided

Peek in... into the peer in
I'm not really like this... I'm probably plightless

I cup the window
I'm crippled and slow
For the agony
I'd rather know
'Cause blinded I am blindsided

Would you really rush out for me now?

Taught line... down to the shoreline
The end of a blood line... the moon is a cold light

There's a pull to the flow
My feet melt the snow
For the irony, i'd rather know
'Cause blinded I was blindsided

justin vernon