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5 de maio de 2014

Andrew Bird - "Imitosis"

We're all basically alone.
 
 

14 de dezembro de 2010

You Woke Me Up



Ando um pouco acima do chão
Nesse lugar onde costumam ser atingidos
Os pássaros
Um pouco acima dos pássaros
No lugar onde costumam inclinar-se
Para o voo

Tenho medo do peso morto
Porque é um ninho desfeito

Estou ligeiramente acima do que morre
Nessa encosta onde a palavra é como pão
Um pouco na palma da mão que divide
E não separo como o silêncio em meio do que escrevo

Ando ligeiro acima do que digo
E verto o sangue para dentro das palavras
Ando um pouco acima da transfusão do poema

Ando humildemente nos arredores do verbo
Passageiro num degrau invisível sobre a terra
Nesse lugar das árvores com fruto e das árvores
No meio de incêndios

Estou um pouco no interior do que arde
Apagando-me devagar e tendo sede
Porque ando acima da força a saciar quem vive
E esmago o coração para o que desce sobre mim

E bebe




Daniel Faria




20 de março de 2009

Oh So Insistent




MULHERES

Há nas mulheres
o sono duma ausência
como uma faca aberta
sobre os ombros
à qual a carne adere
impaciente
cicatrizando já durante
o sonho

E há também
o estar impaciente

calarmos impaciente
todo o corpo

Sorrir não devagar
claramente
lugares inventados sobre
os olhos
E há ainda em nós
o estar presentes
diariamente calmas
e seguras

mulheres demasiado
serenamente

nas casas
nas camas
e nas ruas

E como toda esta herança
Não chegasse
Como se ainda quiséssemos aumentá-la

Fechamos os braços de cansaço
como se da vida
chegasse o inventá-la

E se o sono
nos vem o esquecimento
quantas insónias
cansamos por de dentro

Maria Teresa Horta



5 de março de 2009

Eugene





Em ti o meu olhar fez-se alvorada,
E a minha voz fez-se gorgeio de ninho,
E a minha rubra boca apaixonada
Teve a frescura do linho


Florbela Espanca






13 de fevereiro de 2009

Yawny at the Apocalypse

 
 
Paraíso
 
Deixa ficar comigo a madrugada,
 para que a luz do Sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.
 
Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota...
Crepite, em derredor, o mar de Agosto...
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!~
 
Depois, podes partir.
 
Só te aconselho que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito...
Podes partir.
 
De nada mais preciso para a minha ilusão do Paraíso.
 
                                                                         David Mourão-Ferreira
 
 
 
 
 
 
 
 
 

10 de fevereiro de 2009

Plasticities



This isn't your song, this isn't your music.