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24 de fevereiro de 2009

Bengali Song





A solidão era eterna
e o silêncio inacabável.
Detive-me com uma árvore
e ouvi falar as árvores.

                                          Juan Ramón Jiménez


2 de julho de 2007

Homelands



Tudo o que quiser
Tem que entender
Nas palmas da mão
Se tiver porquê


Frágil nessa terra
Fácil derrubou
Quando jogou fora
Tudo acabou


30 de maio de 2007

Tides - Nitin Sawhney


Quem inventou a dor ao fim de um dia de sal?

Quem te imaginou na minha cabeça?
Quem apagou a luz do céu?


Se tu fosses
a sombra da água
a alma que dói
no fundo de ti que sou



(Fotos e texto de Luis Rodrigues)

Moonrise




Inicial

O dia não é hora por hora.
É dor por dor,
o tempo não se dobra,
não se gasta,
mar, diz o mar,
sem trégua,
terra, diz a terra,
o homem espera.

E só
seu sino
está ali entre os outros
guardando em seu vazio
um silêncio implacável
que se repartirá
quando levante sua língua de metal
onda após onda.

De tantas coisas que tive,
andando de joelhos pelo mundo,
aqui, despido,
não tenho mais que o duro meio-dia
do mar, e um sino.

Eles me dão sua voz para sofrer
e sua advertência para deter-me.
Isto acontece para todo o mundo,
continua o espaço.

E vive o mar.
Existem os sinos.

Pablo Neruda

Dead Man



O velho era magro e seco, com profundas rugas na parte de
trás do pescoço. As manchas castanhas do benigno cancro da
pele que o sol provoca ao reflectir-se no mar dos trópicos
viam-se-lhe no rosto. As manchas iam pelos lados da cara
abaixo, e as mãos dele tinham as cicatrizes profundamente
sulcadas, que o manejo das linhas com peixe graúdo dá. Mas
nenhuma destas cicatrizes era recente. Eram antigas como
erosões num deserto sem peixes.
Tudo nele e dele era velho, menos os olhos, que eram da
cor do mar e alegres e não vencidos.
- Santiago - disse o rapaz, ao virem da praia para onde
fora alado o esquife. - Posso tornar a ir contigo. Já
ganhámos algum dinheiro.

O VELHO E O MAR
Ernest Hemingway